A construção da Torre de S. Sebastião, actual Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães, data do início do século XX e foi mandada edificar pelo aristocrata Jorge O'Neil. Obra notável da arquitectura romântica, a Torre de S. Sebastião fascina pela mistura de estilos e por um envolvente misticismo que faz imaginar histórias de outros tempos...
Em 1910, o palácio foi vendido aos Condes de Castro Guimarães que, após procederem a algumas alterações, passaram a habitá-lo grande parte do ano. O bom gosto do casal reflectiu-se na aquisição de peças de arte e mobiliário representativos de várias épocas, assim como o seu interesse pela cultura se fez sentir com a compra de dois dos elementos mais significativos do acervo do actual Museu: um órgão neo-gótico, construído de encomenda para o Conde e a valiosa Crónica de D. Afonso Henriques, de Duarte Galvão.
Os Condes usufruíram pouco tempo deste magnífico palácio. Quando faleceu, em 1927, o Conde deixou, em testamento, a casa e propriedade ao Município de Cascais, para que nelas fosse constituída uma Casa-Museu e Jardim Público.
O Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães foi oficialmente inaugurado a 12 de Julho de 1931, tendo sido durante largos anos o único existente no concelho de Cascais.
Capela de S. Sebastião
A Capela de S. Sebastião, incluída na propriedade do Museu Condes de Castro Guimarães é, segundo consta, originária do início do século XVII. Possui um considerável espólio azulejar, de que os exemplos mais antigos datam do século XVII, sendo ainda de destacar o revestimento integral da abóboda de berço da capela-mor.
No século XX foram aplicados nas paredes da nave, quatro painéis representativos da vida de S. Sebastião.
Colecções:
Nas salas existentes no Museu encontram-se colecções distintas das quais se destacam:
- Pintura portuguesa e estrangeira (flamenga, italiana, espanhola e francesa) do século XVI ao século XX.
- Escultura portuguesa e europeia do século XVIII ao século XX.
- Mobiliário português e estrangeiro (francês, inglês, espanhol e italiano) do século XVI ao século XIX.
- Mobiliário indo-português e duas peças lacadas chinesas do século XVIII e XIX
- Ourivesaria portuguesa do século XVII ao século XIX (algumas com punções brasileiras) e baixelas francesas do século XIX.
- Porcelana Oriental: China e Japão dos séculos XVIII e XIX
- Azulejaria portuguesa e hispano-árabe dos séculos XVI ao XIX.
Salas:
Sala dos Trevos
A denominação desta sala advém dos trevos pintados que decoram o tecto desta sala, em representação do símbolo da Irlanda, país de origem dos antepassados de Jorge O'Neill, primeiro proprietário do da Torre de São Sebasitão. Em exposição encontram-se os retratos dos doadores do palácio e da rainha D. Amélia, pintados por Victor Mateus Corcos. Sobressai ainda um conjunto variado de peças de mobiliário português e francês de feição neoclássica, de finais do século XVIII e início do século XIX, com peças parcial ou totalmente revestidas de dourado.
Sala de Música
Sala decorada com revestimento azulejar de diferentes padrões do século XVII, com paredes forradas de damasco de cor vermelha. No tecto, profusamente decorado, distinguem-se os brasões de armas dos antepassados do Conde Manuel de Castro Guimarães.
Nesta sala, autêntica galeria de retratos, podem observar-se obras de diversos autores nacionais e estrangeiros dos séculos XVII e XVIII e um conjunto de cadeiras e canapé portugueses de inspiração francesa.
Destaque ainda para um órgão com sistema tubular pneumático, que reúne um total de 1170 tubos, fabricado em Braga, em 1912, por Augusto Joaquim Claro, mandado instalar pelo Conde de Castro Guimarães especialmente para este espaço. Aqui tiveram lugar agradáveis saraus musicais promovidos pelos Condes, constituindo um verdadeiro "cartão de visita" do palácio.
Sala Neo-gótica
Assim designada por apresentar um tecto abobadado com nervuras, formando arcos neo-góticos com elementos “manuelinos” e do imaginário medieval, nesta sala sobressaem também os grandes janelões rasgados para a ampla varanda no exterior, decorada por painéis de azulejo policromos.
Para além de dois jarrões de porcelana chinesa com os brasões dos Sobral, encontram-se expostos diversos móveis de produção nacional do século XVII, fabricados com madeiras escuras, sobretudo pau-santo, onde brilham aplicações de latão dourado.
Foi neste espaço que funcionou durante décadas a primeira Biblioteca Pública de Cascais.
Biblioteca
Constituída pelo acervo bibliográfico legado pelo Conde de Castro Guimarães, que reúne essencialmente obras de História Universal, História de Portugal, Música, Marinharia e Romance, nesta divisão destaca-se a obra mais emblemática e valiosa do acervo do Museu: o manuscrito iluminado Crónica de D. Afonso Henriques, de Duarte Galvão, datado de 1505, no qual é de salientar a primeira representação conhecida da cidade de Lisboa, da autoria de António d’Ollanda.
Sala de Jantar
Nesta sala, que inicialmente foi um grande terraço, sobressai uma fonte revestida de azulejo de feição arabizante, tendo-se conservado um enorme janelão de acesso à varanda com um alpendre minhoto.
Actualmente para além de se exporem porcelanas da China armoriadas e baixelas de prata, apresenta-se uma “mesa de aparato” integrada no “serviço à francesa”, no qual se expõe uma das duas baixelas em prata do Museu, constituída por um conjunto numeroso de diferentes pratos individuais e de serviço, um faqueiro, castiçais, suportes, um serviço de copos de cristal e uma terrina da China de porcelana de encomenda.
Sala Dr. José de Figueiredo
Para além do retrato de José de Figueiredo, realizado por António Carneiro, e de dois retratos da autoria do pintor italiano Domenico Pellegrini (1759-1840), é de notar um conjunto de peças de ourivesaria ligadas à "cerimónia do chá”, de pendor neo-clássico e mobiliário português do século XIX.
Sobressai, ainda, pela sua qualidade e raridade, uma caixa de chá lacada, fabricada na China no XVIII com incrustações de madrepérola.
Sala dos Contadores
Tal como o nome indica, neste espaço é possível apreciar quatro contadores e uma mesa/bufete inseridas nas produções da arte indo-portuguesa. Sendo igualmente dedicado ao esplendor do Barroco, sobressai um conjunto de peças de ourivesaria de artífices portugueses, com punções brasileiras. Para além de um significativo núcleo de pintura flamenga do século XVIII, realce para um biombo lacado chinês do século XVIII exuberantemente decorado com motivos vegetalistas e paisagens com construções.
Galeria
Na galeria, percorrida por janelas de gelosias, apresenta-se actualmente um conjunto significativo de pinturas e esculturas dos séculos XIX e XX. Com particular incidência em criações artísticas do Romantismo ao Tardo-naturalismo, de que o acervo do Museu reúne um importante conjunto de obras, estão representados, entre outros, Miguel Ângelo Lupi, Giacomo Grosso, Columbano Bordalo Pinheiro, João Vaz, Sousa Pinto, Carlos Reis e Carlos Bonvalot.
Torreão / Sala de Armas
Espaço dedicado à apresentação da colecção de armaria do Museu e onde se destaca o tecto ricamente decorado com os brasões de armas dos ascendentes de Jorge O'Neil.
Acção Educativa
O Serviço Educativo do Museu Condes de Castro Guimarães existe desde 1964, altura em que se iniciaram as visitas guiadas para grupos escolares e as oficinas de artes plásticas.
Desde então o seu trabalho tem-se revelado de enorme importância para a divulgação da história, não só do Museu, mas de toda a Vila de Cascais. A realização de oficinas e ciclos de conferências, onde se procura sensibilizar e incentivar os jovens estudantes para a riqueza histórica do Museu, são cada vez mais frequentes.
Serviços que disponibiliza
- Acesso a pessoas com deficiência motora.
- Visitas orientadas, quer temáticas, quer de índole geral, mediante marcação prévia, destinadas ao público em geral nacional e estrangeiro.
- Visitas específicas para escolas, no âmbito da acção educativa
- Ateliers lúdico/pedagógicos
-Teatros de fantoches, leitura e dramatização de contos e histórias do imaginário infanto/juvenil
- Concertos, recitais e encontros musicais de escolas e grupos e associações musicais
- A Biblioteca do Conde de Castro Guimarães, mediante pedido formal aos seus responsáveis, pode ser consultada para trabalhos de investigação histórica e/ou científica. Actualmente a catalogação está disponível na PACWEB da Câmara Municipal de Cascais
Museu Condes de Castro Guimarães
Av. Rei Humberto II de Itália
Parque Marechal Carmona,
2750 Cascais
Tel: 214815304
mccg@cm-cascais.pt
Horário:
De 3ª a 6ª feira das 10h às 17h00
Sábados e domingos das 10h às 13h00 e das 14h às 17h00.
Encerra à 2ª feira e dias 1 de Janeiro, domingo de Páscoa, 1 de Maio e 25 de Dezembro