A actividade arqueológica no Concelho de Cascais, já com mais de um século, tem dado importantes contributos, quer ao nível local, quer aos níveis nacional e internacional. Descobertas de diversos enterramentos pré-históricos como Alapraia, S. Pedro do Estoril ou Poço Velho (Cascais), constituem por certo a idade de ouro, que em muito projectou o nome do concelho um pouco por todo o mundo. Já nas décadas de setenta e oitenta do século passado, a investigação arqueológica deu um novo contributo para a historiografia cascalense, que havia sido compilada na sua maioria na década de sessenta.
Também a arqueologia urbana, aplicada especialmente na vila de Cascais, trouxe novos conhecimentos, razões que em muito justificam a criação do Museu de Arqueologia, que virá a ser instalado na Cidadela de Cascais.
Nesta breve nota iremos destacar as mais recentes escavações arqueológicas, que têm em comum o facto de se tratarem de trabalhos integrados em obras a realizar, assumindo a arqueologia o papel do contributo da informação para a musealização e reabilitação, dirigidas pelo Gabinete de Arqueologia camarário.
Decorreram em Agosto e Setembro de 2003 no Forte de Santa Marta, em Cascais, sondagens arqueológicas com o fim de se avaliar possíveis estruturas com interesse para o projecto de musealização do Forte e Farol de Santa Marta, que tem já em curso o projecto de arquitectura. Graças a esta intervenção foi possível observar algumas das obras realizadas no forte desde a sua data de construção que documentam o que só se conhecia até ao momento por registo cartográfico.
Terminaram no mês de Maio de 2004, as sondagens arqueológicas na Capela de Nossa Senhora das Neves, em Manique de Baixo, que foram realizadas antes das obras em curso para a remodelação da igreja e construção das capelas mortuárias. Ainda que limitadas à área onde iriam decorrer as obras, estas sondagens arqueológicas permitiram identificar uma ocupação do local na Idade Bronze, como atestam as cerâmicas encontradas, bem como recolher diversos elementos arquitectónicos da primitiva capela que haviam sido removidos, especialmente na campanha de obras dos anos sessenta do século passado.
Estão em curso sondagens arqueológicas na Rua Luís Xavier Palmeirim, n.º 10, em Cascais, a propósito de obras no edifício, que se encontrava incluso na muralha da vila de Cascais, tendo sido já identificada a reutilização de diversos lintéis seiscentistas, que certamente pertenceram ao Palácio dos Marqueses de Cascais, demolido em finais do séc. XIX.
Tendo em vista a construção da ligação pedonal do passeio rainha D. Maria Pia à Marina de Cascais, estão a ser desenvolvidas sondagens arqueológicas para avaliar o impacto da obra. Os trabalhos decorrem num troço do fosso norte da Fortaleza de Nossa Senhora da Luz e no passeio, tendo-se já encontrado as fundações de um antigo paiol do revelim, a par do abundante espólio cerâmico e outros, visto que durante muito tempo o fosso foi sendo utilizado como lixeira. Estas sondagens arqueológicas têm também a direcção da Dr.ª Maria Margarida Magalhães Ramalho, que em 1987 deu início à investigação arqueológica da Fortaleza de Nossa Senhora da Luz.