A definição de um centro histórico revela-se difícil, visto que encerra em si um conceito de património que possui contornos extensos e que, por vezes, parecem ilimitados. Aspectos que outrora foram objecto de grande polémica, inserem-se hoje, inquestionavelmente, na categoria de património. Veja-se o caso da arquitectura de veraneio de gosto estrangeirado, as polémicas construções modernistas e mesmo as estruturas mais banais e simples como um fontanário.
Não considerando os vestígios anteriores ao período moderno, a maior parte das malhas urbanas data dos sécs. XVI/XVIII, com expansões definidas entre os séc. XIX e a primeira metade do séc. XX. O surto de construção a partir da década de sessenta, do séc. XX, contribuiu em muito para a descaracterização dos primitivos núcleos, introduzindo alterações substanciais, que, em alguns casos, levou ao quase total desaparecimento das antigas construções.
Actualmente, no nosso concelho, os núcleos históricos destacam-se pela existência de tipologias da arquitectura popular ou vernácula, memória da sua antiga vivência rural. Integrados na área de influência da cultura saloia, onde se encontram por vezes marcas de gostos urbanos de várias épocas, especialmente dos sécs. XVIII e XIX, ao nível do tratamento das cantarias e fachadas. Nas povoações do litoral, a arquitectura de veraneio, constitui o principal elemento definidor da paisagem, seguido da arquitectura modernista.
Para além do património edificado de arquitectura civil, encontramos nos centros históricos, arquitectura religiosa e militar, estruturas ligadas ao abastecimento de água, alguns jardins, escassos vestígios de arquitectura industrial e singelos monumentos. Infelizmente há um património que não é visualizável, a memória, muitas vezes o elemento mais rico do lugar, derivando de factos históricos e figuras notáveis, ou costumes e hábitos das populações, hoje já esquecidos.
Urge a salvaguarda dos centros históricos, que passa pela sua delimitação e definição de regras de intervenção urbanística, a par de um inventário, praticamente inexistente, que conduza também à elaboração de monografias, valorizando o lugar e as suas gentes e aproximando os residentes à terra que diariamente os acolhe.
Decorre neste momento, para efeitos de revisão do Plano Director Municipal, todo um processo de levantamento e inventariação do património concelhio, que irá permitir que, a exemplo da carta arqueológica, se possa dotar o concelho de um Catálogo de Inventário do Património Histórico Cultural.
Ainda em matéria de salvaguarda, tem sido política desta Câmara Municipal desenvolver uma acção mais concertada em matéria de classificações, da qual resultou a abertura de procedimentos administrativos, com respectiva deliberação camarária, para a classificação, como de interesse municipal, de dezassete imóveis do Concelho. Essas classificações abrangem diversas peças patrimoniais, como as quintas no Vale de Caparide, ou diversos exemplares de arquitectura de veraneio, setecentista, oitocentista e religiosa, tendo em vista a preservação de aspectos como a vinha de Carcavelos ou a identidade do Centro Histórico da Vila de Cascais.
Assim hoje o concelho conta com trinta e dois imóveis classificados como de interesse público, dois imóveis classificados como de valor concelhio, estando nove imóveis em vias de classificação.