Imagem 3D da Biblioteca Municipal de Cascais - Parede. Projecto do arquitecto João Lucas Dias.
Em 2004 concretizaram-se, em termos jurídicos, dois importantes processos que dizem respeito à passagem para o município de Cascais de imóveis pertencentes a duas célebres figuras do panorama cultural e artístico português do século XX.
A 29 de Abril foi redigida a escritura que efectivou a entrega da Casa-Atelier Carlos Botelho e respectivo jardim ao município de Cascais pela família do pintor; a 19 de Maio de 2004, por vontade testamentária de Irene Quilhó, viúva entretanto falecida do médico e historiador de arte Reynaldo dos Santos, a sua casa, jardim e espólio foram doados ao município, livre de encargos, com a indicação expressa de os transformar em Casa Reynaldo dos Santos e Irene Virote de Carvalho Quilhó dos Santos.
Os dois edifícios encontram-se actualmente a ser alvo de um levantamento relativo ao seu estado de conservação, estando igualmente em prossecução o inventário dos bens, a definição das suas valências culturais e a estruturação de estudos prévios.
Ambos os imóveis estão localizados na Parede e fazem parte do núcleo fundador do perímetro cultural a implementar, a médio prazo, na zona oriental do concelho de Cascais e que inclui um outro equipamento fundamental que consiste na Biblioteca Municipal da Parede e Ludoteca. Esta realidade encontra-se consubstanciada no denominado "Plano Urbanístico do Bairro das Caixas" que, desenvolvido numa parceria activa entre o Departamento de Cultura e o Departamento de Planeamento Estratégico da Câmara Municipal de Cascais visa dotar esta zona do concelho de uma rede forte de equipamentos sócio-culturais.
A futura Biblioteca Municipal, com uma área total de 2600 m2, garantirá a uma considerável faixa da população residente no concelho e na freguesia, um espaço de características diversificadas, que vai da biblioteca em si a uma "praça de chegada" - o lugar da congregação dos vários acessos pedonais àquela zona - um jardim, um bar e uma esplanada com espelho de água.
A implantação do edifício desenvolver-se-á em dois pisos. No piso da praça de chegada, o átrio permite o acesso a todas as funções existentes (bar, sala polivalente, depósito, área infantil e juvenil), bem como vislumbrar através do vazado, o piso superior e o espaço destinado aos adultos. O bar que usufrui do contacto com o jardim prolonga-se para o exterior, numa esplanada, sobre um espelho de água. A sala polivalente beneficia de uma iluminação de norte, difusa. A área destinada ao público infantil e juvenil abre-se sobre o espaço verde e apenas autonomiza os espaços destinados à sala do conto e ao atelier de expressão.
No piso superior os serviços administrativos relacionam-se com a praça de chegada ao passo que toda a zona de adultos a sul goza da relação privilegiada com o jardim e o jogo de luz filtrada pelos elementos da cobertura.