Núcleo de Arqueologia Subaquática

 

 

Carta Arqueológica Subaquática do Concelho de Cascais

Uma carta arqueológica é uma ferramenta de investigação que se baseia na recolha permanente, sistemática e exaustiva de toda a informação sobre o património arqueológico, quaisquer que sejam as fontes de origem (orais, escritas, iconográficas ou outras). Com efeito, um inventário deste tipo, que consubstancia a noção de que “gerir é antes de tudo conhecer o que se tem”, é uma fonte informativa e uma ferramenta de pesquisa essencial, uma vez que sendo a única forma de definir existências, estratégias, politicas e prioridades, é também um utensílio precioso para a definição de problemáticas. Neste sentido, a gestão do Património Cultural Subaquático do concelho de Cascais é feita com base no Plano Director Municipal (PDM), referência única em Portugal, mediante o estabelecimento de duas zonas de protecção:
A primeira “zona”, trata de contextos perfeitamente coerentes e homogéneos identificados, como os sítios arqueológicos do Cabo Raso, a presumível Nau Nossa Senhora dos Mártires e a do Clipper Pedro Nunes ex- Thermopylae, onde foi necessário criar zonas de protecção especial limitados por uma área pré – estabelecida enquadrada por decreto de lei regulamentar, por um lado, e na proposta de inventariação, por outro.

A segunda “zona” estabelece áreas onde existem testemunhos arqueológicos dispersos, testemunhos que potenciam a eventual existência de naufrágios os quais por várias razões, não foram ainda identificados, e que por isso mesmo necessitam de confirmação e estudo.

A dinamização do núcleo tem sido tratada dentro desta plataforma técnico-científica, concentrando os esforços em quatro pólos de acção:
- O ordenamento da interface aquático: A avaliação de Impacto Arqueológico em São Pedro e em São João do Estoril;
- Conservação e valorização dos sítios: a jazida Arqueológica do Pedro Nunes/ex Clipper Thermopylae.

  • Criação de um Itinerário Subaquático.
  • Em fase de preparação uma edição que assinala os cem anos do afundamento ocorrido em 13 de Outubro de 2007 na Baía de Cascais.

- Investigação/Divulgação:

  • Inventariação/Gestão dos achados fortuitos
  • Os conjuntos geomorfologicos da Guia e da Baía.

A avaliação de impacto Arqueológico em São Pedro e em São João do Estoril

O projecto apresentado foi uma resposta técnica da Divisão de Museus Municipais do Departamento de Cultura aos desafios colocados pelo Município a um vasto e dispendioso programa de reabilitação do litoral do concelho. Os protocolos assinados pela Câmara Municipal, em Novembro de 2006, com o Instituto Superior Técnico, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil e a Faculdade de Ciências de Lisboa reforçaram o objectivo de dinamizar projectos estratégicos na orla marítima de Cascais com a “construção de um ancoradouro, em São João do Estoril, para ser instalado o submarino Barracuda, que irá servir como espaço museológico” e a avaliação de impacto ambiental com vista à criação de um recife artificial em São Pedro Estoril, como forma de dinamização da prática do surf. Foi dentro deste quadro camarário que nasceu o projecto, em estreita colaboração com a Divisão do Litoral do Departamento de Ambiente da Câmara Municipal de Cascais, permitindo a minimização de impacto sobre o património arqueológico subaquático.

Jazida Arqueológica do Pedro Nunes/ex Clipper Thermopylae.

A presença de vestígios submersos, na Baía de Cascais, do veleiro inglês Thermopylae, construído na Escócia, em 1869, proporciona um terreno fértil para os arqueólogos subaquáticos e para os historiadores navais. Descoberto em 2003, a partir dos registos do ROV PHATOM S2 do Instituto Hidrográfico, a uma profundidade de 30 metros, a jazida tem sido alvo de recentes estudos nomeadamente através da preparação de uma edição que assinala os cem anos do afundamento do Clipper. A História da navegação à vela consagra-o com um dos veleiros mais rápidos na travessia marítima entre a Europa e o Pacífico, e imortaliza-o devido à famosa rivalidade com o veleiro Cutty Sark. O Núcleo de Arqueologia Subaquática em colaboração com a Divisão de Arqueologia Náutica e Subaquática de IGESPAR, tem em preparação a criação de um itinerário subaquático, que irá potencializar a visita in situ dos destroços e contribuir para a preservação da memória.

Inventariação/Gestão dos achados fortuitos

A gestão do inventário dos achados fortuitos tem possibilitado ao núcleo conhecer a dispersão dos vestígios arqueológicos e conhecer o universo quantitativo e qualitativo desses objectos. A partir desta base dados, partimos para a elaboração de projectos de estudo e de divulgação. A identificação de artefactos tem sido feita de duas formas, o geoposicionamento e permanência in situ do objecto, ou quando as ameaças antrópicas são evidentes, premeia-se a geoposição e a recolha. Dentro do processo de recolha temos de destacar a colaboração crescente da comunidade, principalmente o apoio dos utentes do mar.

Os conjuntos geomorfologicos da Guia e da Baía de Cascais

A linha de investigação actual, resultante da recolha e inventariação dos achados fortuitos, segue a preparação de um projecto de estudo centrado na problemática do comércio marítimo na Antiguidade.


A identificação de uma âncora em pedra e de vários cepos em chumbo de época romana, e as condições naturais propícias aos estabelecimentos de pontos de apoio à navegação, têm sido os temas discutidos nos últimos trabalhos de divulgação.

 

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