A criação do brasão do concelho de Cascais remonta a 1934. Até então a bandeira e o estandarte oficiais eram constituídos pelo escudo nacional, que tinha por baixo os dizeres “Câmara Municipal de Cascais”.
Em cumprimento da disposição do Ministério do Interior, de 14 de abril de 1930, para que todos os municípios possuíssem brasão, e na sequência da comunicação do Governo Civil de Lisboa nesse sentido, a 30 de julho solicitar-se-ia um parecer à Associação dos Arqueólogos Portugueses para a constituição das armas do concelho de Cascais.
O estudo foi elaborado pelo arqueólogo Afonso de Dornellas que, tendo demonstrado não existir correlação entre o topónimo Cascais e o apelido da família espanhola Cascales – cujas armas a Câmara Municipal utilizava desde 1921, tendo por base o relatório das gerências de 1919 e 1920 – alvitrou que o brasão deveria ser constituído em harmonia com a história, a situação geográfica e a atividade piscatória da vila.
Em sessão de 20 de abril de 1934, a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Cascais, presidida pelo Tenente António Rodrigues Cardoso, aprovou a "constituição heráldica das armas" do concelho, que se definiu na Portaria n.° 7839, de 15 de junho de 1934, da seguinte forma:
"De prata com um castelo de vermelho, aberto e iluminado de prata, sobre uns rochedos de negro, saindo de um ondado de prata e de verde. O ondado coberto de uma rede de ouro. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres Câmara Municipal de Cascais a negro." Bandeira vermelha. Cordões e borlas de prata e de vermelho. Lança e haste de ouro. Selo circular tendo ao centro as figuras das armas sem indicação dos esmaltes, tudo dentro de círculos concêntricos, com os dizeres “Câmara Municipal de Cascais”».
O castelo representa a praça-forte, que impusera Cascais enquanto sentinela avançada de defesa da entrada do Tejo e, consequentemente, de Lisboa. Já o esmalte vermelho do castelo é a cor que, heraldicamente, significa vitória, ardis e guerras, e representa ainda a vida, a alegria, o sangue e a força. Por sua vez, a prata do campo das armas demonstra humildade e riqueza, qualidades dos naturais da região. O negro dos rochedos representa a terra e significa firmeza e honestidade, qualidades que também sempre distinguiram os naturais de Cascais. Note-se que o ondado de prata e o verde são as cores indicadas para simbolizar o mar, tanto mais que heraldicamente o verde corresponde à água e significa esperança e fé. Finalmente, a rede representa a vida ativa dos cascalenses e o seu sustento, tendo a cor escolhida sido o ouro, que significa fortuna, poder e liberalidade. Refira-se, ainda, que o vermelho da bandeira teve por base a cor do castelo, o elemento principal das armas. A prata da coroa mural obedece à norma estabelecida para simbolizar as vilas.
Para saber mais:
Brasão de armas. In CARVALHO, António; SANTOS, Conceição, ed. lit. - A casa dos azulejos de Cascais. Cascais: Câmara Municipal, D.L. 2009. ISBN 978-972-637-200-4. p. 270-283
Brasão do concelho. In ANDRADE, Ferreira de, dir. – Monografia de Cascais. Cascais: Câmara Municipal, 1969. p. 41-42